ANÁLISE SOBRE O SISTEMA LOGÍSTICO DO GÁS NATURAL VEICULAR EM MANAUS

Marcos Denis Botelho Nóbrega1

Reylle Marck da Silva Fernandes1

Robson Mendes Rafael1

Jandernilson Maciel da Silva1

1 Autores

 

RESUMO

 

O gás natural veicular(GNV) tornou-se realidade após a entrada em operação do gasoduto Coari-Manaus em 2009. O artigo envolve os seguintes objetivos: descrever a logística, caracterizar o sistema de distribuição e abordar fatores econômicos relacionados à viabilidade econômica do GNV. A análise terá início com visão geral sobre o histórico do gás natural usado em veículos no Brasil, bem como a descrição da chegada do gás natural proveniente do gasoduto Coari-Manaus, onde é tratado em uma Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) e segue por gasoduto até a concessionária responsável, que controla sua odorização, distribuição aos postos que por sua vez comercializa ao consumidor final. Em sequência inicia-se a descrição da logística do GNV que descreverá a ramificação por meio de mapeamento e localizará os postos distribuidores na cidade de Manaus. O trabalho tem continuidade nos aspectos legais e documentação. Por conseguinte, finalizamos com os fatores de viabilidade econômica que apresentarão comparativos do GNV em relação a outros combustíveis.

 

PALAVRAS-CHAVE: GNV, Logística, Manaus.

 

 

ABSTRACT:

 

Natural Vehicular gas (NVG) became a reality after the start-up of the Coari-Manaus gas pipeline in 2009. The article aims at describing logistics, characterizing the distribution system and addressing economic factors related to the economic viability of NGV. The analysis will begin with an overview of the history of natural gas used in vehicles in Brazil, as well as the description of the arrival of natural gas from the Coari-Manaus gas pipeline, where it is treated in a Natural Gas Processing Unit (UPGN) and Follows by pipeline to the responsible concessionaire, who controls its odorization, distribution to the stations that in turn sells to the final consumer. In the sequence, the NVG logistics will begin describing the branching by means of mapping and will locate the distribution points in the city of Manaus. The work has continuity of legal aspects and documentation. Therefore, we conclude with the economic feasibility factors that will present comparative of NGV in relation to other fuels.

 

KEYWORDS: NVG, Logistic, Manaus.

 

 

 1.            INTRODUÇÃO

 

O Gás Natural Veicular (GNV) é um combustível fóssil composto por hidrocarbonetos leves utilizado em automóveis, e que vem sendo cada vez mais popularizado por ser mais barato, emitir menos poluentes no ar, não prejudica a parte interna do motor, entre outros fatores que fazem o GNV também ser chamado de “O Gás do Futuro” (PETROBRAS, 2016).

A origem da utilização do Gás Natural como substituto da gasolina e do diesel em veículos tem início na Itália por volta dos anos 30,porém não vinha sendo utilizada e expandida em grande escala devido ao crescente consumo do Petróleo (PACHECO/UFRJ, 2004).

A Crise do Petróleo em 1973 fez com que o preço do barril aumentasse radicalmente ocasionando uma desestabilização na economia mundial (GASPARETTO JUNIOR, 2014). A partir deste acontecimento houve-se a necessidade da busca por novas alternativas de fonte de energia (Luiz Molina,2016). Com a consequência do avanço tecnológico, globalização e a crescente preocupação com a saúde do Meio Ambiente, os pesquisadores visam sempre um combustível mais barato, com um menor nível de emissão de poluentes na atmosfera e que seja renovável, já que as fontes mais populares como o petróleo e o carvão natural, são recursos limitados e constituídos por elementos químicos nocivos ao meio ambiente.

No ano de 2011, se calculava 15,1 milhões de veículos movidos a gás natural em todo o mundo, correspondendo uma parcela de 1,18% da população total de veículos. Destacaram-se entre os países com maior número de veículos a gás natural em 2011: o Paquistão (2,85 milhões), Irã (2,85 milhões), Argentina (1,9 milhões), Brasil (1,69 milhões) e Índia (1,10 milhões). A soma dos 5 países citados representava mais da metade da quantidade mundial de veículos movidos a gás natural (GVR Gás Vehicles Report, 2011).

Atualmente, na América Latina se encontra a maior frota do mundo que utilizam o GNV, destacando-se o Brasil e a Argentina, que somam aproximadamente 3 milhões de veículos. (INMETRO, 2016).


No Brasil, o GNV somente se popularizou em 12 de janeiro de 1996, data do decreto nº 1.787 que liberou o seu uso em veículo particular (G1.GLOBO, 2015). Hoje o Brasil possui a segunda maior frota do mundo e possui 426 oficinas registradas legalmente pelo INMETRO, e são atestadas pela PORTARIA ANP Nº 32 de 6/3/2001 (DOU de 7/3/2001) que regulamenta o exercício da atividade de revenda varejista de gás natural veicular GNV em posto revendedor que comercialize exclusivamente este combustível.

Apresentaremos neste artigo uma análise do sistema logístico do Gás Natural Veicular voltado à cidade de Manaus, com a finalidade de compreender não apenas seu percurso, como também fatores relacionados a sua política e economia. O objetivo específico do artigo abrange pontos importantes, tais como, descrever a logística do Gás Natural Veicular vendido na cidade de Manaus e abordar fatores econômicos ligados ao GNV na capital amazonense.



2. METODOLOGIA


A base do presente artigo científico foi projetada com coletas de dados através do Programa ArcGIS e Google Earth para a formulação do mapeamento para a elaboração da distribuição do GNV em Manaus e pesquisas em diversos meios de informações, nos quais também se destacam principalmente sites jornalísticos e científicos que ofereceram artigos, teses, gráficos e tabelas relacionadas ao Gás Natural Veicular, também foi feita visita de campo para obtenção de informações mais precisas para o desenvolvimento do trabalho, por tanto as metodologias utilizadas são consideradas bibliográficas, estudo de campo, descritivas e quantitativas.


2.1 REVISÃO TEÓRICA


2.1.1 Gasoduto Urucu-Coari-Manaus


Com o início da construção em julho de 2006, operação de transporte de gás natural pelo gasoduto Urucu-Coari-Manaus somente foi iniciada em 2009, o GNV começou uma nova etapa em nossa cidade. O que era antes somente destinado a taxistas e transportado em cilindros por balsa até Manaus, agora pode ser abastecido direto de um posto de combustíveis, tornando essa operação mais cômoda a consumidores que possuem veículos automotores com essa tecnologia (SOUZA, 2008).

O transporte é um dos pontos mais importantes da logística, pois está diretamente relacionado não apenas aos fatores de distância, tempo e custo, como também a segurança da locomoção do produto.  Como já citamos o tipo de modal utilizado para essa operação é o gasoduto, ele percorre 661 quilômetros do ponto inicial em Urucu até chegar a Manaus (figura 1), fase essa, que é de responsabilidade total da estatal PETROBRAS. Suas principais vantagens são a diminuição de fretes que interferem diretamente na elevação do preço final, aumenta a segurança do transporte do gás e sua movimentação pode ser feita 24 horas por dia. 

Figura 1– gasoduto Urucu-Coari-Manaus.

 

Fonte: (CIGÀS, 2013), adaptado.


Portanto, no aspecto de transporte de um produto como o gás em lugares remotos, torna-se indispensável um estudo estratégico para a escolha de um modal viável e com vantagem competitiva em relação ao cenário econômico e político do local. “Quando o serviço de transporte não costuma oferecer vantagem competitiva, a melhor escolha será aquela que compense o custo de utilizar um determinado serviço de transporte com custo indireto associado ao desempenho do modal selecionado” (DIONATAN MARTINS, 2012).

 

2.1.2 O GNV na cidade de Manaus

                    

O consumo do Gás Natural proveniente do gasoduto Coari- Manaus tornou-se realidade após a sua inauguração em 2009, com isso foi criada uma expectativa de crescimento do mercado GNV na capital. Somente no ano seguinte a sua implantação foi possibilitada. Depois de quatro anos de operação o governador do Amazonas, José Melo, considera “tímida” a utilização do GNV no estado (G1 AM, 2015).

“No passado, o diferencial da gasolina para o gás veicular e se juntado ao preço do kit para transformação, não era tão atrativo. Não depende só do governo. O governo estabelece as políticas e meios, mas é preciso que os donos de postos façam a adesão, não podemos impor. É uma questão de mercado, que hoje está ativo por conta dessa crise de energia que aumentou a gasolina e ficou mais atrativo", disse Melo a uma entrevista para o G1 AM.

Cada posto tem que investir em média, R$ 700 mil para operar no abastecimento do gás natural veicular, segundo dados da Companhia de gás do Amazonas (CIGÁS, 2015).

Atualmente, o gás natural veicular é distribuído aos postos pela CIGÁS, empresa concessionária responsável por sua comercialização. Manaus possui uma estrutura em desenvolvimento, contando com 6 postos de abastecimento para uma crescente frota, que hoje apresenta aproximadamente 1.650 veículos já adaptados para o uso do GNV, apresentando cerca de 1% da frota total de veículos do Amazonas (DETRAN-AM, 2015).

 

2.1.3.    Cigás

 

A Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) foi criada pela lei 2.325 de 8 de maio de 1995, a qual torna a concessionária pública responsável exclusiva pela distribuição e comercialização do Gás Natural através de dutos no Estado do Amazonas. A empresa iniciou suas atividades em fevereiro de 2010, tem o prazo de concessão de 30 anos contados a partir da data de criação e atualmente a sua composição acionária é dividida entre o Governo do Amazonas e o sócio privado Manaus Gás LTDA (CIGÁS, 2016).

A Cigás publicou em 2013 os atuais acionistas da empresa e seu percentual de participação nas suas ações (mostrado figura 2). Descrevendo a figura em palavras mais acessíveis, os dados mostram que o Governo amazonense possui uma maior participação nas ações ordinárias que conferem os direitos essenciais do acionista, principalmente a participação nos resultados da companhia e o direito a voto na Assembleia Geral, que consequentemente garante sua participação na gestão da empresa. Enquanto a empresa privada Manaus gás S/A possui 100% das ações preferenciais, que são mais baratas que as Ordinárias e não dão direito a voto ao acionista, mas garantem a participação prioritária na distribuição dos dividendos e no reembolso do capital.

 

Figura 2: Percentual da participação dos acionistas da Cigás.

Fonte: Cigás, 2013.



2.1.4 Documentação

 

A conversão do veículo, antes de ser realizada, exige uma prévia autorização do órgão responsável pela regulação (Detran-AM) que deve ser apresentada pelo motorista para em seguida serem instalados os equipamentos (GNV DA AMAZONIA, 2016). Finalizado a conversão, o veículo precisa passar por uma inspeção e é obrigatório pela lei que se faça a modificação dos documentos, o qual deverá constar o funcionamento do carro por combustível original (gasolina e etanol) e também por GNV, fator esse, que acaba se tornando mais um benefício para o motorista devido a oferta do desconto de 25% no IPVA. Além disso, o carro convertido deve passar por uma revisão todos os anos, e deve apresentar todos os requisitos previstos pelo INMETRO (G1.COM, 2014).

 

1.    RESULTADOS E DISCUSSÕES

 

1.1  DESCRIÇÃO LOGÍSTICA DO GNV NO AMAZONAS

 

O GNV é processado no município de Coari, em uma unidade de processamento de gás natural (UPGN) que após seu processamento segue por gasoduto até o citygate, que é o ponto de transferênciada PETROBRAS para a empresa CIGAS, logo em seguida é distribuído por gasoduto pelas principais rodovias da cidade até chegar ao seu posto de destino, onde é comprimido e armazenado para abastecimento em carros com a tecnologia GNV. Podemos ver na figura 3, um exemplo da cadeia de suprimentos relacionada à atividade de transporte do GNV, que vai desde sua produção em Coari até seu ponto de consumo em Manaus.

 


Figura 3- Cadeia de Suprimentos do GNV no Amazonas

Fonte: Elaborada pelos autores.




 A cadeia de suprimentos busca sempre apresentar todas as atividades logísticas que, por sua vez, devem envolver bons planejamentos do produtor, e para que isso aconteça é preciso que se faça o gerenciamento de uma série de informações relacionadas à demanda do produto final, capacidade do tratamento, volume de gás, disponibilidade de transporte e as condições comerciais que também requerem atenções especiais (PUC-RIO, 2012).

A atividade de exploração e produção concentra cerca de 70% dos dispêndios de capital da indústria, dá origem a toda sua cadeia de valor,e, sobretudo, centraliza as suas possibilidades de geração e apropriação de renda (Alveal, 2003apud Kimura, 2005).

Resumidamente a cadeia de suprimentos petrolífera é um processo em que fornecedores, fabricantes, atacadistas e varejistas buscam adquirir matérias-primas, transformá-las em produtos e fazer com que este chegue até o cliente com seus respectivos valores agregado ao produto final. A cadeia possui três segmentos que são chamados de Upstream, Midstream e Downstream.

No Upstream temos o início das atividades de exploração com levantamentos sísmicos (estudos geológicos e geofísicos) que apontarão os locais com maiores possibilidades de ocorrência do petróleo, onde apenas será confirmada a existência de uma quantidade significativa com a perfuração (ALMEIDA, 2004). Depois da confirmação, finalmente é iniciada a extração dos fluidos (água, óleo ou gás) que em seguida são tratados e transportados para as refinarias.

Na operação Midstream e onde ocorrem os processos de tratamento para eliminação de impurezas e condicionamento para o produto final (PUC-RIO, 2012).

O Downstream consiste no transporte e distribuição dos produtos da refinaria até os locais de comercialização e consumo (PROCESSO INDUSTRIAL-BLOGSPOT, 2010).

Para a melhor compreensão da cadeia de suprimentos, a figura 4 ilustra o fluxograma logístico do gás natural veicular na operação Coari-Manaus, apresentando seu “passo a passo“, que se inicia no poço de produção do gás natural até chegar seu ponto de entrega para os veículos que possuem a tecnologia.

 

Figura 4- Fluxograma da logística do GNV em atividade, Urucu-Coari-Manaus.

Fonte: Elaborada pelos autores.



Como podemos observar na figura acima, o início de toda a atividade ocorre nos poços de Urucu com a extração do gás natural, segue para a UPGN,que está situada no Polo Arara na cidade de Coari, onde é devidamente tratado, logo em seguida passa pelo gasoduto até chegar à refinaria de Manaus (REMAN), logo após, a PETROBRAS repassa a companhia distribuidora Cigás, que  distribui o gás natural por toda a cidade, por meio das ramificações de seu gasoduto e transfere a empresas e consumidores como o Polo Industrial de Manaus, a usina termelétrica de Aparecida e finalmente chega nos postos, onde é comprido e se torna o GNV, que por sua vez é consumido por veículos adaptados ao gás.

 

1.1  MAPEAMENTOS DA DISTRIBUIÇÃO DO GNV EM MANAUS

 

A logística do Gás Natural é realizada por gasoduto, fator esse, que torna o transporte mais seguro e rápido no que diz respeito a controle e distribuição do produto canalizado, assim, antes do gás chegar a Manaus e se tornar GNV, os dutos ligam os poços situados em Urucu até a UPGN Arará, onde é realizado o processamento do petróleo, gás natural e GLP, que o mesmo gás utilizado na cozinha (RIT, 2014). Após o processamento, o gás natural percorre a rede de dutos que se estende a uma distância de 350 km, com origem na cidade de Coari (Terminal Solimões) seguindo na direção Leste-Oeste, passando e ligando aos CITYGATES dos municípios de Codajás, Anori, Anamã, Caapiringa, Manacapuru, Iranduba até a sua chegada ao terminal da Petrobras e Posteriormente ao citygate da Companhia de Gás do Amazonas totalizando uma distância de aproximadamente 661 km entre Urucu-Coari-Manaus.


A logística do GNV foi iniciada em 2009, com entrada em funcionamento de distribuição do gás combustível pela Cigás. Em seguida, em 2010, houve a inauguração dos primeiros postos de serviço para abastecimento de gás natural veicular na capital do Amazonas.


Durante esse período foram inaugurados 2 (dois) postos em bairros como distrito industrial e chapada, na Zona Sul e Centro-Sul, respectivamente. Em 2015, o sistema foi ampliado para mais 3 (três) postos,em um total, no período, de 5 (cinco) pontos “[...] situados na Avenida Coronel Teixeira, Zona Centro-Sul da capital” de acordo com o G1 AM (2015).Havendo, naquele período, estimativa da Cigás que “[...] até julho daquele ano a expectativa de inauguração de mais dois postos da Zona Leste de Manaus passe a comercializar GNV”, de acordo com o G1 AM (2015). Atualmente, existe em funcionamento 6 postos de serviços.


A seguir, na figura 5 é apresentada a malha de postos de abastecimento GNV espalhados na capital do Amazonas, junto com o traçado que o gasoduto da concessionária Cigás realiza até a sua chegada na Estação Medidora e Reguladora de Pressão – EMRP, e em seguida aos pontos de abastecimento.

 

Figura 5–Malha de distribuição do GNV em Manaus.